Nossos perrengues de viagem

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Chapada Diamantina

Já passamos por muitos perrengues em viagens, os mais marcantes certamente nos passeios mais naturebas. Prefiro chamá-los de aventuras, pois depois de algum tempo a gente até consegue rir dos nossos perrengues de viagem e transformar tudo em bons “causos”. Mas na hora… dava vontade mesmo é de chorar! Vou relatar alguns deles…

Perdidos com guia na Serra do Cipó

Um passeio obrigatório na Serra do Cipó (MG) é o parque nacional, onde não é necessário acompanhamento de guia, pois as trilhas são sinalizadas e relativamente fáceis. Mas decidimos contratar um mesmo assim em nossa visita.

serra do cipó

O rapaz era simpático, mas logo de início algo parecia estranho. A caminhada começou “arrastada”, com um ritmo lento. De repente o garoto decide parar, senta-se e retira uma prótese da perna para ajustar. Isso mesmo, o guia não tinha uma perna!

Tudo bem, muitas pessoas com limitações assim são exemplos de superação e são capazes de feitos admiráveis. Mas não era bem esse o caso do nosso pobre guia. Depois de muita lentidão, chegamos enfim à linda Cachoeira da Farofa. Valeu a pena. Tomar um lanchinho, nadar na água geladinha do poço…

serra do cipó

Então partimos para o segundo atrativo do parque: o Cânion das Bandeirinhas. Tudo estaria bem se a partir dali não tivéssemos aceitado a sugestão do guia de pegar um caminho alternativo e visitarmos uma cachoeira pouco conhecida. Resultado? Perdidos na mata. Foi um sufoco! Conseguimos voltar à trilha e chegar ao cânion, mas ficou tão tarde que a volta foi feita à noite… E o pior, sem lanterna e parando a todo instante pois o guia quase não conseguia mais andar!

serra do cipó

serra do cipó

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Branquinho, um super-herói!

No caminho para o Parque Nacional de Aparados da Serra deparamos com um ônibus atolado bem no meio da pista. Ok, o Branquinho, nosso Land Rover Defender era guerreiro e a gente conseguiria passar pela brechinha. Engano, atolamos também. No caminho contrário vinha um outro 4X4 e em um trabalho em conjunto conseguimos literalmente sair do buraco. Mas ficamos com dó daquele grupo enorme de turistas e unindo os dois carros e nossos guinchos também desatolamos o ônibus e conseguimos escoltá-lo até o parque. Foi um daqueles dias em que a gente vira herói.

Aparados da Serra

Aparados da Serra Aparados da Serra

Aparados da Serra

Chapada Diamantina: a campeã em emoções fortes

Já passamos por vários apuros nesse lugar mágico no coração da Bahia, para onde já viajamos quatro vezes. Então haja aventura para contar. Vou resumir aqui os momentos mais nervosos.

Atolados e ferrados

Logo na primeira visita, mesmo com guias experientes e veículos que pareciam tanques de guerra (tinha até uma Engesa), nosso grupo de 22 pessoas ficou “atolado” em uma trilha. Nenhum dos carros conseguiu escapar e tivemos que caminhar por horas até um local de resgate. Para piorar já era noite, estávamos cansados e ficamos rodeados de pernilongos…

Chapada Diamantina Chapada Diamantina Chapada Diamantina Chapada Diamantina

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Secura no Pati

Em outra ocasião fizemos uma trilha fantástica pelo Vale do Pati. Em um determinado trecho sabíamos da existência de uma mina de água para reabastecer os cantis. Chegando lá, a surpresa. Sequinha, nenhuma gota. E o pior. Era a única. E tínhamos um dia todo de caminhada pela frente. Descobrimos o que é sentir sede de verdade…

Chapada Diamantina Chapada Diamantina

Tromba d´água na Fumaça

Na difícil trilha para chegar ao poço da Cachoeira da Fumaça passamos por vários perrengues, mas o grande susto foi encarar uma das famosas trombas d´água. Foi durante a noite e por sorte o lugar que escolhemos para a barraca era seguro. Mas o cenário no dia seguinte era tenebroso: a barraca estava ilhada em uma grande poça de água, um paredão próximo virou uma cachoeira e um pequeno curso de rio calminho (onde até tomamos banho no dia anterior) virou uma grande corredeira que desembocava em uma cachoeira gigante e que levou parte da bagagem dos guias. Emoção nível hard.

chapada diamantinaChapada Diamantina

chapada diamantina
Isso aí atrás não é uma cachoeira!! Era um paredão seco na noite anterior e quando acordamos estava assim!! Medo!!

Chapada Diamantina

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Buracão no facão

Para concluir, nossa primeira expedição à Cachoeira do Buracão, até então pouco conhecida dos turistas. O tempo estava bem feio e logo de cara o guia nos avisou que não seria possível chegar lá pelo caminho normal. Mas depois de horas de estrada não desistiríamos: abrimos uma trilha com facão e chegamos naquela maravilha da natureza. Mas as sequelas, como os inúmeros arranhões e momentos de tensão não nos deixam esquecer da loucura que foi aquilo.

Chapada Diamantina Chapada Diamantina

Chapada Diamantina Chapada Diamantina

Chapada Diamantina

Estes foram alguns dos nossos perrengues de viagem marcantes. E você? Quais são os seus perrengues? Com certeza você deve ter alguma história pra contar, então não se faça de tímido e comente aqui embaixo tudo sobre o(s) seu(s) perrengue(s) de viagem! Quero muito ler!

selo blogagem coletiva perrengues de viagem deu ruim

Ah e se quiser ler mais histórias muito legais de perrengues de viagem, saiba que este post faz parte de uma Blogagem Coletiva – iniciativa no qual diversos blogueiros se unem pra escrever sobre um mesmo tema – e hoje, um grupo de blogueiros de viagem estão compartilhando seus “causos” e perrengues, então é só conferir os demais posts que fazem parte desta Blogagem Coletiva:

 

36 Comentários

    • Pois é Camila, sempre acontece alguma coisa, né? Mas na real, os outros classificam como perrengue… Eu prefiro chamar de aventura ou emoção. Realmente é maravilhoso esse mundo das trilhas!

    • Ai Lilian… Se a gente reunisse todas as histórias daria um bom livro! Muita diversão quando éramos jovens, hahaha… Agora somos “mãe e pai” de família enferrujados e fora de forma. Mas nunca é tarde para voltar à ativa, agora com uma pequena aventureira, quem sabe…

  1. Hoje damos muita risada Edson, mas na época foi tenso… Primeiro pela dificuldade de voltar à trilha… Depois ter que andar devagar para não deixar o guia para trás, vendo tudo escurecer, sem lanterna… E para fechar com chave de ouro a desorganização era tanta que mesmo tendo feito registro na entrada do parque, quando minha irmã foi nos buscar eles informaram que não havia mais ninguém lá dentro… Graças à Deus ela bateu o pé e ficou esperando até umas 8h da noite, bem depois do horário de fechamento…

    • Verdade! trancaram o portão do parque com cadeado e eu brigando com os guardinhas que ainda tinha gente lá e eles não queriam pegar o jeep e ir atrás e eu batendo pé que tinha 3 perdidos lá dentro… Lembro que não tinha celular na época e não dava pra chamar a polícia e nem bombeiro e eu brigando com os guardinhas e não queria arredar pé dali pq eles fecharam tudo e se recusaram a ir resgatar os três – imagine eles tinham carro, lanterna, tudo… mas não acreditaram quando eu falava que tinha gente lá… uma irresponsabilidade sem tamanho! Se não me enagno o combinado era eles voltarem por volta das 5 e chegaram as 8… Imagine a agonia dessa espera!!

    • Concordo Fran. Sem “emoção” não é a mesma coisa… Apesar que não me lembro de nenhum passeio assim totalmente tranquilo. Todos sempre tem uma historinha prá contar depois…

  2. Cara, sabe quando eu me aventuraria assim? Acho que nunca! Amo Natureza, sério, mas queria chegar e tirar uma foto, de preferencia, chegando de helicoptero…hahahaha. Sou muito preguiçosa pra esse tipo de aventura e exercício físico aqui, passa longe. hahahahah, eu vou até,mas, fico uns 6 anos depois sem ir….rs Estou me obrigando mais aqui no México, pra aproveitar e conhecer tudo….e resulta que minha filha adora, alguém tem que ceder né? Cara, jamais…..hahaha Beijos.

    • É Mel, confesso que tem que gostar mesmo de aventura, pois mesmo que as lembranças sejam boas, na hora é bem difícil. Mesmo disposta a encarar qualquer roubada, em algumas o saldo foi negativo… Tem um trecho de uma trilha que fiz na Chapada Diamantina que eu apagaria sem remorso da memória, um dia para esquecer… Mas descobri que muitos desses lugares lindos exigem algum sacrifício… Parece que quando mais mágico, mais difícil! E quando for ao México posso adotar sua filha? Hahaha!!! Torcendo aqui para minha pequena herdar esse nosso espírito… Ainda não a apresentamos a esse mundo de aventuras…

    • Mas os meus também são contos de fada Claudia… Só que neles acho eu não sou a princesa, sou a vilã, hahaha!!! E a disposição sempre aparece quando eu imagino esses lugares fantásticos…

  3. É Guacuiara, as fotos e os lugares que conhecemos valem mesmo… A gente olha depois de muitos anos e não acredita naquilo… E sente saudades, acredita? Quer dizer, o guia perdidão eu acho que passaria, hahaha… Ah! Eu tenho só uma menina… Quem tem as duas filhas (as japinhas) é minha irmã, a Simone. A mais velha dela é realmente a cópia. Mas a caçula acho a versão menina do pai…

    • Em geral a relação com os guias é bem legal… Lembramos com carinho, saudades… Mas esse foi algo bizarro mesmo! No dia eu só queria matar o cara… mas hoje sabe que nem tenho raiva? No fim das contas foi um dia lindo e gostoso… Beijoca!

  4. Depois de ler tanto perrengue em trilha nessa blogagem coletiva fiquei até com medo de começar a fazer. Ainda to animada, mas acho que já vou me preparar psicologicamente pros primeiros perrengues…hahaha

    • Stephanie vai de corpo e alma… O mundo das trilhas é maravilhoso… Light ou hard… A gente se acostuma e não quer parar. Estamos meio aposentados agora, mas ensaiando o retorno triunfal. Dentro das limitações, né? Vem com a gente!

  5. É bom mesmo ter histórias para contar… E relembrar! Mas algumas dão vontade mesmo de esquecer, hahaha!!! Mas não desistimos nunca, perrengue é com a gente!

  6. Adorei os perrengues… na hora podem ser muito incômodos, mas fazem parte da trajetória dos grandes aventureiros… A gente precisa tomar um cuidado danado com essa coisa de guia. Qualquer pessoa pode se intitular expert em alguma coisa… e levar a gente pra uma barca furada! rss… Viajei nas viagens de vocês! Muito legais!

    • Esse lance de guia é complicado mesmo Regina… Muitas vezes precisamos deles e como saber se são “do bem”? Sempre buscamos em associações ou indicações de pessoas locais ligadas ao turismo “sério” na região… Esse do Cipó contratamos assim, com referências… E em uma outra oportunidade na Chapada Diamantina contratamos um que já conhecíamos de outra viagem, tradicionalíssimo e queridinho na região! Trabalhava para uma das maiores agências locais. Tipo aquele que virou amigão. Na segunda vez porém se revelou um grande aproveitador… Sugou nossa grana (cobrou bem acima da média), fez corpo mole nas trilhas, não nos levou em alguns lugares combinados e foi por preguiça mesmo. Nem preciso dizer que este mora no nosso coração, né?

  7. Eu tive a grande sorte de ter vários perrengues relacionados a grana em uma mesma viagem! hahaha.
    Recém-chegados em São Paulo, ainda no aeroporto, meu namorado (na época amigo) foi sacar um dinheiro no caixa eletrônico. Saque registrado, tudo bonitinho. Dinheiro não saiu. Ok, era só tirar o extrato pra ver. Não tinha extrato. Fomos na delegacia do aeroporto desesperados (MOÇO, O CAIXA ELETRÔNICO ROUBOU MEU DINHEIRO ME AJUDA POR FAVOR), querendo registrar BO ou coisa que o valha já que era uma graninha considerável pra passar os dias em SP. Não deram a mínima pra gente. 🙁
    ok, vamos pro hotel.
    No outro dia, fomos tentar sacar dinheiro na lotérica. CADÊ O CARTÃO? (Deve ter caído em alguma rua nessas retiradas de celular do bolso e agora mora pra sempre em SP). Bom, ainda podemos sacar na agência com a identidade né? Tinha um porém: chegamos lá bem no início de uma greve dos bancos. Ou seja, no money. Precisamos pedir ajuda a um amigo que estava em BH pra emprestar dinheiro depositando em outra conta que a gente conseguiria usar. Tudo correu bem a partir daí… ou não…
    Acontece que o namorado/amigo foi em show sozinho e com o meu cartão, já que o dele estava perdido. Comprou umas cervejas, tudo ok. Fui olhar extrato do banco: R$180 a menos de uma compra que não tinha sido feita lá no show… Não tinha nem como ~xingar muito no twitter~ do banco já que meu cartão é só com senha e eu tinha emprestado pra outra pessoa. Ou seja, tava tudo errado. :(((((
    Mas tirando tudo isso, deu pra curtir bem o passeio! 😀

    • Nossa! Sortudos mesmo, hein? Ainda bem que não deixam os perrengues atrapalhar uma viagem…A gente tem mesmo é que curtir e pensar nos “preju” depois, né?

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