Um passeio pela mais paulista das avenidas

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Se tivesse que escolher um cartão-postal de São Paulo, certamente a Avenida Paulista estaria entre as primeiras opções. Ela é a cara da cidade e essa identidade está presente logo no nome, que não poderia ser mais perfeito. Desde pequena eu passeio por ela, paixão antiga que nunca acaba.

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Seja para os visitantes ou para os próprios moradores, essa é minha dica de roteiro número um, pois reúne exemplos de bela arquitetura, áreas verdes, entretenimento, opções para compras… Sem contar na bagagem histórica ainda tão presente.

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Durante a semana o ritmo por lá é frenético e a sensação é a do dia a dia de trabalho mesmo. Nos finais de semana e feriados, apesar de muito frequentada, o clima é mais descontraído e calmo.

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O acesso não poderia ser mais tranquilo. Muito próxima da região central, pode se chegar facilmente de qualquer lugar da cidade por meio de transporte público, inclusive uma das linhas de metrô (a verde) tem três estações instaladas por toda a sua extensão. De carro também é bem fácil chegar, mas se puder evite, pois os estacionamentos custam uma fortuna e vagas são difíceis. O mapa abaixo mostra as principais atrações e as estações de metrô (clique na imagem para vê-la em tamanho maior).

Mapa Avenida Paulista - Crédito: Associação Paulista Viva
Mapa Avenida Paulista – Crédito: Associação Paulista Viva

Um pouco de história…

Com cerca de três quilômetros de comprimento, a Avenida Paulista foi inaugurada no dia 8 de dezembro de 1891, por iniciativa do engenheiro Joaquim Eugênio de Lima. No início havia uma parte para bondes, uma para carruagens e cavaleiros e outra para pedestres.

Avenida Paulista - Dia da Inauguração - Reprodução de aquarela de Jules Victor André Martin - Imagem de Domínio Público
Avenida Paulista – Dia da Inauguração – Reprodução de aquarela de Jules Victor André Martin – Imagem de Domínio Público

Com perfil estritamente residencial, era majoritariamente povoada por famílias abastadas, principalmente os barões do café. Foi a primeira via pública asfaltada de São Paulo (em 1909).

Avenida Paulista - Imagem Associação Paulista Viva
Avenida Paulista – Imagem Associação Paulista Viva

A partir dos anos de 1950 e 1960 começam a surgir os grandes empreendimentos comerciais e de serviços na região e também ocorre a valorização dos imóveis e a construção dos característicos “espigões” (edifícios de escritórios com 30 andares em média).

Avenida Paulista - Imagem Associação Paulista Viva
Avenida Paulista – Imagem Associação Paulista Viva
Avenida Paulista - Imagem Associação Paulista Viva
Avenida Paulista – Imagem Associação Paulista Viva

Vou apresentá-la aqui como se fosse caminhando por ela e destacando seus principais atrativos e pontos marcantes. Quem me acompanha nesse passeio?

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A Avenida Paulista começa na Praça Osvaldo Cruz e lá já encontramos o nosso primeiro atrativo, o Pátio Paulista. Um shopping como os outros da cidade, mas como está na região pode ser uma parada interessante. Afinal, shopping center é uma das “coisas típicas” da cidade, não? Oficialmente não faz parte da avenida, ele está na Rua 13 de maio, também grudada na praça.

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Agora vamos seguir a avenida propriamente dita. Logo no comecinho (número 37) um dos lugares mais belos em minha opinião: a Casa das Rosas. Ela foi o último projeto do arquiteto Ramos de Azevedo (1935), que a construiu para sua filha em estilo clássico francês. É um dos últimos casarões remanescentes na avenida e está impressionantemente bem conservado. O imóvel foi tombado como patrimônio histórico e lá funciona um centro cultural com atividades gratuitas. O jardim é lindo!

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A poucos metros (número 149) um moderno prédio abriga o Itaú Cultural, outro local com programação artística e cultural variada… E gratuitas!

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Ainda neste comecinho (número 200) encontra-se o primeiro hospital particular da cidade, o Hospital Santa Catarina (1906). Além do prédio principal há uma capela. Um conjunto arquitetônico com valor histórico. E para mim bem sentimental (a Mariana nasceu lá!).

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Mais uns passinhos e outras duas edificações antigas e importantes. Curiosamente ambas amarelas. Primeiro o Grupo Escolar Rodrigues Alves (número 227). Inaugurado em 1919, também é projeto de Ramos de Azevedo tombado como patrimônio histórico. Continua funcionando como escola.

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Logo em seguida o Instituto Pasteur (número 393), centro de referência em controle da raiva animal e humana e também centro de vacinação para a população (Marianoca já levou várias agulhadas lá!).

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Outro casarão que ainda resiste (acho que não é tombado) é o do número 709, de autoria desconhecida e datado como de 1930. Ficou famoso por abrigar nas décadas de 1960 e 1970 a Maison Dener, endereço de um dos pioneiros da alta costura no Brasil (Dener Pamplona de Abreu). Depois disso funcionou como unidade do Mc Donald´s e atualmente como agência do Banco Real/Santander.

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Outro shopping? O Top Center (número 854) é pequeno e está mais para uma galeria de compras, com algumas lojas e opções de alimentação. Mas é clássico, inaugurado em 1975.

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Ao lado está outro ícone da avenida: o prédio da Fundação Cásper Líbero/Gazeta, com as famosas (e gigantes) escadarias, no número 900. O térreo abriga o Reserva Cultural (complexo de entretenimento com livraria, café e salas de cinema) e o Teatro Gazeta.

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Logo em frente, no número 901, uma unidade da loja/livraria FNAC. É grande e conta com área dedicada aos pequenos, onde eles podem ler e manusear os livros à vontade… E alguns brinquedos também! Prepare o bolso…

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Um marco arquitetônico moderno é o edifício Citicorp/Citibank, no número 1.111. Inaugurado em 1986, no térreo mantém um centro cultural.

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O endereço mais “fresquinho” fica no número 1.230. É o recém-inaugurado Shopping Cidade de São Paulo (em abril de 2015). Mais compras, opções de alimentação e cinemas.

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Outra obra marcante na avenida é o também modernoso e estiloso edifício da Fiesp/Ciesp (de 1979). Lembrando uma pirâmide, ele é um ponto de referência bem no meio da avenida (número 1.313). É lá que fica o Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, com interessante programação cultural gratuita e cursos.

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Natureza? Sim! Na Avenida Paulista há um pequeno oásis verde que preserva um pouco da Mata Atlântica. O Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Trianon, já passou por altos e baixos e chegou a ser uma região perigosa e degradada, mas hoje é um exemplo de conservação. Conta com pista para caminhada/corrida, dois parquinhos e sanitários (limpos!). E mantém algumas construções antigas e obras de arte. Inaugurado em 1892.

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Chegamos ao meu queridinho na avenida: o Museu de Arte de São Paulo – MASP, no número 1.578. Moderno e ousado para a época em que foi inaugurado (1968), é uma das obras da arquiteta Lina Bo Bardi e conta com um acervo maravilhoso!

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Outro casarão tombado, a Casa das Uvaias, fica no número 1.811. Abriga uma agência do banco Itaú. É famosa pela sua decoração na época do Natal.

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Cansados de tanto andar? Calma! Ainda há mais para curtir… Então uma paradinha na segunda área verde da avenida, o Parque Prefeito Mário Covas, na verdade uma pracinha charmosa. Inaugurado em 2010, fica no número 1.853, conta com sanitários (limpos!) e abriga uma Central de Informação Turística (saiba mais sobre as CITs aqui neste post).

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Uma cena triste… O Casarão Joaquim Franco de Mello, no número 1919. Um dos mais antigos (1905), ele foi construído na primeira fase de loteamento da avenida. Apesar de ter sido tombado, hoje está em péssimo estado de conservação.

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Mais shopping. O Center 3 não é muito grande, mas é bem tradicional (é de 1969) e oferece algumas opções de lojas, alimentação e cinemas. Fica no número 2.064.

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Logo em frente, no número 2.073, está o revolucionário Conjunto Nacional, considerado o primeiro shopping center da América Latina, inaugurado em 1956. Trata-se de um complexo que abriga prédios comerciais e uma área térrea com lojas, restaurantes e a imensa Livraria Cultura, que também conta com uma maravilhosa área para os pequenos.

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Na Avenida Paulista também se destaca a Paróquia São Luís Gonzaga, no número 2.378. Originalmente uma capela do colégio de mesmo nome (da década de 1930), a igreja foi aberta ao público em 1960. Vale a pena conhecer, independente da sua fé ou religião. Um belo exemplo de arquitetura e um ótimo lugar para meditar por uns instantes.

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Ufa! Estamos quase terminando o passeio e ponto final é a Praça do Ciclista, na verdade um canteiro central que fica entre as ruas Bela Cintra e a Avenida Consolação e que virou ponto de encontro de “bikers”.

A Avenida Paulista segue por mais um curto trecho depois da Avenida Consolação, terminado perto da Praça Marechal Cordeiro de Farias, conhecida como Praça dos Arcos, por abrigar a famosa escultura de Lilian Amaral e Jorge Bressani. Inaugurada em 1991 durante as comemorações do centenário da Avenida Paulista, ela faz ligação com as avenidas Rebouças e Dr. Arnaldo. Mas o local anda meio “largado” e até perigoso, por isso nem fiz fotos por lá, fico devendo!

Uma última curiosidade. As torres de transmissão! São dezenas espalhadas por toda a avenida. À noite, elas são uma atração à parte…

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10 Comentários

  1. adorei o passeio pela avenida Paulista. amo SP e amo a Avenida Paulista, a nossa 5ª Avenida ! Fiz um post sobre ela chamado assim. Faço esse passeio sempre que estou em SP e páro em quase todos os pontos que vc escreveu.

    • Lilian, adoro encontrar outros apaixonados pela Paulista… Costumo chamá-la de quintal de casa! Moro pertinho e não saio de lá… Sampa é mesmo uma cidade cheia de surpresas e se souber como encará-la certamente vai curtir muito… Quando voltar seja bem-vinda e se aventure! Certamente terá muito material para o seu blog! E se precisar de dicas pode contar conosco…

  2. Pois somos duas suspeitas! Mas a Paulista é mesmo show, né? E obrigada pelo elogio ao post… Foi fácil escrever sobre algo que gosto tanto!

    • São Paulo pode até ser uma selva de pedra, mas tem sua beleza sim! Só fico triste com o descaso do governo e de grande parte da população com a conservação da cidade e dos patrimônios históricos e culturais.

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