Descobrindo Sampa: o audacioso sonho do edifício Martinelli

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Muita gente que passa pelo centro de São Paulo não percebe a ousadia de um antigo edifício cravado entre as ruas São Bento, Libero Badaró e Av. São João. Em estilo neoclássico e tons de rosa, o Edifício Martinelli foi o primeiro arranha-céu da América Latina.

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A obra é a concretização do sonho do italiano Giuseppe Martinelli, imigrante Italiano excepcionalmente bem-sucedido que em 1924 deu início à construção do prédio projetado para ter 12 andares e que foi surtando até construir o gigantesco edifício de 30 andares!

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Hoje isso parece pouco, mas na época foi um escândalo. E mesmo com outras construções ao redor, muito maiores, o prédio mantém sua posição destacada no cenário local e do seu topo se tem uma bela visão da cidade.

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Visitando a cobertura do Martinelli

Sim! É possível visitar a cobertura do prédio, que além de ser um fantástico mirante é também um lugar especial, já que abriga a antiga residência de seu idealizador. Um lindo casarão em cima de um prédio no centro da cidade.

E quer saber o melhor de tudo? A visitação é gratuita!

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E para curtir mais esse passeio, é interessante saber um pouco mais desta história.

A história do Martinelli

Pois bem, mais de 600 operários e cerca de 90 artesãos trabalharam na obra, que começou em 1924 e culminou na inauguração do prédio em 1929, ainda com 20 andares. Mas era pouco para o visionário empreendedor, que tinha o objetivo de chegar aos 30. Na época, edifícios com mais de dez andares eram considerados muito altos.

Diversos imprevistos prolongaram as obras: as fundações abalaram um prédio vizinho e a construção foi embargada por não ter licença e desrespeitar leis municipais. Mas as questões foram resolvidas e o prédio foi considerado seguro, mas limitado a altura de 25 andares. Para atingir sua meta, Martinelli construiu sua nova residência com cinco andares no topo do prédio.

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O edifício impressiona não só pelas dimensões, mas também pelo luxo e pela riqueza da ornamentação. Escadas de mármore de Carrara, vidros, espelhos e papéis de parede belgas, louça sanitária inglesa, molduras de gesso, elevadores suíços e portas e portas de pinho de Riga. Tudo do melhor e mais refinado disponível para a época.

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Mas o preço da façanha foi alto e o visionário italiano foi forçado a vender o edifício para o governo da Itália. Em 1943, por causa da II Guerra, os bens italianos foram confiscados e o Martinelli passou a ser propriedade da União.

Em 1947 o Martinelli perdeu o título para o Edifício Altino Arantes, aquele famoso prédio do Banco do Estado, muito semelhante ao Empire States de Nova York. Foi um dos principais símbolos arquitetônicos do Brasil e ponto de encontro da alta sociedade paulistana, mas na década de 60 entrou em decadência e se tornou uma favela vertical, cenário de pobreza, promiscuidade, violência e total degradação.

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Em 1975, o prefeito Olavo Setúbal decidiu salvar o edifício. Desapropriou o prédio, retirou os moradores e deu início à restauração. Em 1979 foi reinaugurado, sendo ocupado por diversas repartições municipais. E assim está até hoje.

Serviço:

Edifício Martinelli

Endereço: o edifício tem três entradas: 1) Rua Libero Badaró, 504 a 518; 2) Rua São Bento, 397 a 413 e 3) Av. São João, 11 a 65.

Telefone: (11) 3104-2477

Visitas:  Gratuita. As visitas são permitidas de segunda a sexta, das 9h30 às 11h30 e das 14h às 16h. Sábados e domingos visitas suspensas por tempo indeterminado [atualizado em 10/7/2016]. Não é necessário agendamento, mas a liberação ocorre em horários determinados, em geral a cada 30 minutos. O melhor mesmo é checar antes por telefone.

3 Comentários

  1. Fomos a São Paulo há poucos dias e quando chegamos ao Martinelli vimos que aos sábados estava fechado para visitas à cobertura, se eu tivesse lido esse post antes não teríamos batido com a cara na porta… adorei saber mais sobre a história do prédio :).

    • Que pena Cynara! Antigamente era aberto aos sábados. Precisa voltar durante a semana, muito lindo o prédio e fantástica a vista lá de cima. Meu mirante favorito em Sampa.

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